Beach Read, de Emily Henry

Não tenho por hábito centrar as reviews na minha experiência de leitura. Acredito que os autores são livres de escrever o que quiserem e que a gestão das minhas expectativas é uma responsabilidade só minha, que não deve pesar no julgamento de qualquer criação artística. Beach Read veio testar esta crença.

É verdade que evito ler histórias de amor. A minha experiência neste género foi sempre insatisfatória e até revoltante: confrontava-me imensas vezes com a idealização de comportamentos e dinâmicas relacionais que me pareciam tóxicos e com os quais não me identificava.

Enfim, tudo aquilo que lia me parecia pouco plausível e, sejamos sinceras, até um bocado estúpido. Infelizmente, não foi desta vez que isso mudou.

Antes de entrarmos em pormenores, espreita aqui o breve vídeo que fiz no meu Tiktok sobre este livro:

@lerequefaltava

Eu e o romance ainda não fizemos match, mas eu continuo à procura! Booktok, ajuda-me! Há por aí algum romance saudável para mim? #creatorsearchinsights #emilyhenry #beachread #booktokpt #bookinfluencer

♬ som original – Carolina | Booktok 📚

Review de Beach read

Beach Read gira em torno de dois autores: uma mulher geralmente otimista que está numa fase extremamente complicada da vida e um homem cuja infância difícil resultou em dificuldades relacionais na idade adulta. Ah! Eu disse que ele é muito gato? Alegadamente, é. E claro isso ajuda a tolerar alguns comportamentos…

Inicialmente, estava muito interessada: juntar duas personagens tão diferentes pareceu-me uma excelente oportunidade para abordar os desafios (individuais e conjuntos) de uma relação amorosa, especialmente quando um dos elementos é tão profundamente traumatizado. O meu interesse desvaneceu-se ao identificar um padrão recorrente de desculpabilização. Por meras migalhas de atenção, a protagonista tolera comportamentos inaceitáveis e faltas de respeito claras; não só não reage, como acaba por arranjar justificações para tudo isto.

Esta questão mexeu comigo de forma muito pessoal. Fez-me reviver um ciclo de “second guessing myself” que conheço bem: tal como a protagonista, ja dei por mim a acreditar que estava a exagerar, a ser injusta ou demasiado negativa, e a encontrar desculpas para os comportamentos inadequados de outra pessoa.

A narrativa de Beach Read valida o facto da protagonista se contentar com o mínimo. Emily Henry diz-nos que não impôr limites, não exigir clareza, nem recusar contentar-se com migalhas de consideração, no fim, vale a pena. Que é bonito alguém anular-se num relacionamento amoroso.

“Ele fala-me mal, mas depois cuida de mim, então no fundo é fofinho!”. Só que não. Este é um trope tão batido que já irrita.

Conclusão

Se, por um lado, percebo a intenção da autora em mostrar duas pessoas partidas a tentarem encontrar-se, por outro, não consigo deixar de sentir que esta dança de atração e afastamento é menos sobre amor e mais sobre dependência emocional. O famoso “I can change him” vestido de romance de verão.

Aceito completamente se me disserem: “Tu és tendenciosa!”. Assumo que sou, mas continuo disponível para encontrar um romance que me faça recuperar a esperança neste género literário. Olha: afinal de contas, parece que estou a combinar com este livro.

Tens sugestões para mim? Se a resposta é sim, por favor deixa-me a tua sugestão nos comentários.

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